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Vamos acabar com a diferença entre atividades “educativas” e atividades “não-educativas”

September 19, 2018

 Imagem: acervo The Open School

 

 

Vamos acabar com a diferença entre atividades “educativas”

e atividades “não-educativas”

 

por Aaron Browder, membro de equipe da Open School

14 de janeiro, 2018

 

Disponível em: http://www.openschooloc.com/wp/2018/01/14/lets-nix-the-distinction-between-educational-and-non-educational-activities/

 

Traduzido por Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

Então você curte educação alternativa. O sistema tradicional não fornece liberdade de escolha suficiente para os estudantes, você diz. Crianças precisam de tempo para brincar, correr, tomar decisões. Elas aprendem melhor quando vão atrás de suas paixões, seus próprios programas.

 

Mas, cedo ou tarde, você diz, elas vão ter que começar a aprender alguma coisa. Mais cedo ou mais tarde, elas vão ter que parar de ficar de bobeira o dia inteiro, todos os dias, e trabalhar duro e aprender alguma coisa. Você acha que, se esperarmos, se deixarmos as crianças brincarem, serem saudáveis e autodirigidas, eventualmente elas vão descobrir uma paixão como o Francês, ou o Antigo Egito, ou química, ou fotografia, ou piano, ou desenvolver videogames.

 

De fato, este é o único jeito de saber se a educação está funcionando – se você for capaz de ver que elas estão fazendo alguma coisa, adquirindo conhecimento e desenvolvendo habilidades concretas.

 

Então, o que você acha? Eu acho que a educação alternativa/Sudbury não é um jogo de espera. Acho que a educação real das crianças está acontecendo agora, todo dia, quer elas estejam estudando, construindo, brincando, conversando ou apenas contemplando. Acho que se você estiver esperando alguma coisa acontecer, esperando seu filho de 7, 11 ou 16 anos “fazer alguma coisa” ou “aprender alguma coisa”, você está querendo dizer que aquilo que eles fazem não vale a pena. Eis o que eu penso:

  1. Toda atividade livremente escolhida por uma criança saudável vai envolver habilidades práticas, sociais e emocionais, e frequentemente as três ao mesmo tempo.

  2. Habilidades sociais e emocionais são mais importantes para as crianças desenvolverem do que habilidades práticas. Habilidades sociais e emocionais são as principais habilidades trabalhadas pelas crianças que estão livres.

 

Para os céticos, vou tentar provar essas duas ideias – primeiro, olhando detalhadamente para algumas atividades “não-educativas” que as crianças na The Open School realizam regularmente: o cardgame do Pokémon, Minecraft, “O Jogo do Zumbi” e assitir vídeos no YouTube; depois, demonstrando que eles envolvem habilidades práticas, sociais e emocionais.

 

Cardgame do Pokémon

Batalhar contra alguém no jogo de cartas do Pokémon exige que você faça um monte de adições, subtrações e multiplicações. Há muito vocabulário complicado nos textos das cartas e para compreender o que significam você precisa não apenas entender as palavras, mas tem que interpretar o texto de acordo com as regras do jogo. Claro, jogar bem exige uma estratégia sofisticada e, em certo sentido, jogar bem requer espírito esportivo.

 

Ainda que você queira apenas trocar os cards, você precisa ser capaz de analisar os valores dos cards e de negociar. E o que acontece se você fizer um mau negócio? Você vai ter que lidar com o arrependimento, e como isso irá afetar seu relacionamento com a outra pessoa? Você vai tentar pegar os cards de volta? Assim, jogar esse cardgame envolve não apenas as habilidades práticas, mas habilidades sociais e emocionais também.

 

Minecraft

Minecraft tem sido usado há tempos em algumas salas de aula tradicionais como uma ferramenta pedagógica. Ao construir estruturas tridimensionais a partir de sua imaginação, as crianças desenvolvem habilidades de raciocínio espacial e exercitam sua criatividade. O jogo exige um monte de leitura, e ainda mais quando os jogadores estão motivados por interesse próprio a buscar tutoriais, que também ensinam como encontrar informação na internet. Jogadores avançados podem até mesmo aprender a programar códigos com Minecraft, ao construir computadores usando materiais comuns ou ao criar mods[1] para o jogo.

 

As crianças na The Open School estão sempre jogando Minecraft umas com as outras, normalmente em grupos de quatro pessoas, e jogo cooperativo significa construção cooperativa, o que requer fortes habilidades de comunicação. Há discussão, negociação e eventualmente sentimentos são feridos – acontece uma desavença ou um mal-entendido, ou alguém destrói a construção do outro por acidente – e elas têm que descobrir como resolver o conflito.

 

O Jogo do Zumbi

“O Jogo do Zumbi” é um jogo original da Open School que envolve um grupo de crianças tentando escapar de um único zumbi (geralmente, eu), às vezes com armas Nerf ou outros acessórios. A primeira coisa que se nota no Jogo do Zumbi é que as crianças inventaram a brincadeira sozinhas, e continuam a reinventá-lo cada vez que jogam, mudando as regras ou introduzindo novos conceitos. Isso requer não apenas criatividade, mas também negociações e acordos.

 

Um dos desafios para as crianças no Jogo do Zumbi é descobrir como usar o terreno a seu favor. Outro é descobrir como usar os outros jogadores a seu favor. Por exemplo, você pode achar que um grande número pode trazer segurança. Você pode fazer uma aliança com alguém para se ajudarem ou, se você não estiver bem equipado, pode se proteger atrás de alguém que esteja.

 

Você pode conseguir alguma vantagem parecendo para o zumbi que irá correr numa direção, mas então sair correndo na direção contrária. Você também tem que se certificar de que o zumbi não irá enganá-lo. O sucesso depende da sua capacidade de adivinhar o comportamento dos outros melhor do que eles conseguem prever o seu, e saber de cor as diferentes rotas de fuga espalhadas pelo câmpus.

 

YouTube

O YouTube não tem apenas vídeos engraçadinhos de gatos. É essencialmente a Internet em formato visual, o que significa que todo o conhecimento mundial está apenas a um clique de distância. É impossível fazer generalizações a respeito do que as crianças aprendem aqui. Ás vezes estão assitindo pessoas cozinhando, fazendo amoeba, hackeando Minecraft, ou cuidando de gatos. Em outro momento estão assistindo uma explicação sobre o funcionamento do espectro eletromagnético para entender melhor sua série de ficção-científica favorita.

 

O YouTube não significa sempre absorver informação passivamente. Uma vez, na The Open School, um grande grupo de estudantes fez um quiz sobre “qual super-herói você seria?” que exigia deles: (A) a leitura da pergunta e suas respostas possíveis, o que frequentemente incluía palavras que eles nunca tinham visto antes, (B) decidir qual resposta melhor os representava pessoalmente, (C) anotar quantos pontos valia cada resposta que eles davam, e (D) no final, usar calculadoras para descobrir sua pontuação para ver qual super-herói elas eram.

 

O que todas essas atividades têm em comum? Acho que é o fato de nenhuma delas produzir resultados concretos. Todas aquelas coisas que nós gostamos de pensar que levam a “aprendizado real” produzem resultados concretos – fatos podem ser recitados; um idioma estrangeiro pode ser falado; um experimento científico pode produzir uma conclusão; um videogame desenvolvido pode ser exibido ou vendido.

 

Mas jogar Pokémon não vai lhe dar nada para mostrar; o mesmo para o Jogo do Zumbi e para o YouTube. Essas coisas apenas fazem aprender por dentro, de uma forma que é difícil de explicar ou mesmo perceber. O que temos que lembrar é que o aprendizado que acontece por dentro é tão valioso quanto o que pode ser visto de fora.

 

Habilidades sociais e emocionais: mais importantes do que as habilidades práticas?

Enquanto o mundo educacional vive o auge da loucura das STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em inglês), companhias de ponta, incluindo o Google, estão descobrindo que as habilidades STEM não são tão importantes quanto se dizia, como foi apontado por Valerie Strauss em um artigo recente do Washington Post:

 

O Project Oxygen chocou a todos ao concluir que, entre as oito qualidades mais importantes dos melhores empregados do Google, a competência nas STEM vem em último lugar. As sete características mais importantes para o sucesso no Google são todas habilidades interpessoais: ser um bom líder; se comunicar e falar bem; ser compreensivo com os outros (incluindo seus diferentes valores e pontos de vista); ter empatia e dar apoio aos colegas; ter um bom pensamento crítico e ser bom em resolver problemas; ser capaz de fazer conexões entre ideias complexas.

 

Acontece que as habilidades sociais são realmente básicas e universais, diferente “do básico” – leitura, escrita e aritmética e, atualmente, ciência, tecnologia, engenharia e matemática também. Todo mundo, em todas as profissões, precisa ser capaz de se comunicar adequadamente e de se dar bem com os outros. Strauss contunua:

 

Uma pesquisa recente com 260 empregadores feita pela National Association of Colleges and Employers, uma instituição sem fins lucrativos, que inclui tanto firmas pequenas quanto gigantes como a Chevron e a IBMA, também colocou as habilidades de comunicação entre as três qualidades mais procuradas pelos recrutadores. Eles valorizam tanto a habilidade de se comunicar com os trabalhadores quanto a capacidade de levar os produtos e a missão da companhia para fora da organização.

 

Além disso, habilidades sociais e emocionais são muito mais complexas do que as habilidades práticas, e demandam muito, muito tempo para serem dominadas. A educação tradicional, que gasta enormes quantidades de recursos e anos de vida das crianças ensinando-as a fazer coisas simples como ler e calcular, nos fez acreditar no contrário. Mas as crianças aprendem a ler e fazer contas de maneira rápida e indolor quando estão prontas e verdadeiramente interessadas. Por um lado, assuntos sociais e emocionais são campos minados de confusão mesmo para as crianças mais inteligentes emocionalmente. É por isso que crianças livres escolhem passar tanto tempo em brincadeiras sociais.

 

Habilidades práticas, por outro lado, geralmente só se tornam necessárias mais tarde. Nos convenceram de que as crianças precisam começar a praticar habilidades de trabalho bem cedo, para assim poderem dominá-las com o tempo. Se isso fosse verdade, a ciência realmente valeria mais a pena do que Pokémon, porque a primeira tem potencial para se tornar um trabalho, enquanto o último não.

 

Entretanto, na atual geração de adultos trabalhadores, é raro ver alguém passar a vida toda num emprego só. Isso vai ser mais verdade ainda para a próxima geração. Uma paixão surgida na infância pode ser esquecida aos dezoito e substituída por uma nova paixão, que pode por sua vez ser substituída aos vinte e três por outra paixão (e assim, uma nova profissão) e assim por diante.

 

Contudo, alguém de vinte e três anos que acabou de começar numa nova profissão sem nenhuma experiência não é uma desvantagem, nessa economia. As habilidades práticas exigidas por essa profissão podem ser aprendias ao longo do caminho, pela experiência concreta e, se necessário, por meio de estudo autodirigido.

 

Se as coisas funcionarem assim, então é fútil avaliar as paixões das crianças em termos de sua viabilidade econômica. O importante é que as crianças cresçam se sentindo livres para ser elas mesmas e para buscar seus próprios sonhos, para desenvolver a confiança de que são capazes de aprender qualquer coisa e de fazer qualquer coisa que quiserem fazer.

 

A resposta para esse quebra-cabeça educacional pode ser resumida em apenas uma palavra: confiança. Confiança nas escolhas que as crianças fazem sobre como vão usar seu tempo. Porque não existe esse negócio de atividade não-educativa.

 

 

NOTA

1 - Mods são modificações criadas pelos jogadores que alteram um ou mais aspectos do jogo original. No caso de Minecraft, alguns mods adicionais blocos diferentes, elementos de decoração, novos alimentos etc.

 

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