Contate-nos: 34-3229-3323 casadaarvorecdal@gmail.com

Osvaldo Rezende, Uberlândia, MG

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Instagram Social Icon

© 2015 por Casa da Árvore. Orgulhosamente criado com Wix.com

Please reload

Posts Recentes

O modelo Sudbury de educação

October 18, 2014

1/1
Please reload

Post em Destaque

A magia da conversação – parte 6 - Final

February 28, 2018

A magia da conversação – parte 6 - Final¹

 

 Imagem: acervo Casa da Árvore

 

 

Michael Greenberg

Disponível em: http://www.sudval.com/essays/022008.shtml

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira


 

Muitas das coisas que as pessoas querem de você nem parecem estar diretamente relacionadas com as coisas que elas estão estudando. As pessoas irão pedir sua opinião sobre coisas completamente secundárias e, então, irão dizer: “Você me inspirou a fazer algo porque você estava satisfeito fazendo isso pra si próprio.” Apenas chegar e compartilhar com elas algumas das coisas que eu estive fazendo, e que não têm nada a ver com elas ou com a escola foi a melhor coisa que eu fiz, por assim dizer, eles apenas me viam fazendo alguma coisa, pois eu sou uma pessoa fazendo alguma coisa. Eu tenho uma estudante de fotografia, e tudo que eu fiz foi lhe mostrar a câmera e falar dos princípios mais básicos que eu considero serem essenciais na fotografia. Praticamente tudo que eu penso sobre fotografia se resume ao fato de que você, ao tirar uma foto de algo, se perguntar foto de quê você está tirando, e tirar foto disso. Claro, eu quero dizer isso num nível mais profundo. Quero dizer que, se você está tentando tirar uma foto de um certo estado de espírito, então você tem que decidir quais são os elementos visuais que irão criar esse estado de espírito. Se você vê alguma coisa que pensa ser bonita e deseja capturar essa beleza, tem que descobrir o que no cenário e na coisa que vai transmitir aquela beleza e então capturar somente isso. Isto é o que vai te dar boas fotos, se você recuar por um segundo e se fizer essas perguntas. Assim, a parte dois é ver realmente, olhar realmente na câmera e perceber que tudo o que está no visor é o que vai aparecer na foto. Você olha nas extremidades da imagem, olha em toda parte e busca o equilíbrio ali e decide que não tem mais nada fora do enquadramento que você quer capturar. Não vai ter nenhum cheiro, nenhum som, nada perto da coisa que você esteja olhando para as pessoas verem depois. Tudo vai estar ali no visor, então você tem que se certificar de que aquilo está contando sua história. Essas são as coisas básicas, simples, que levam cinco minutos para aprender, mas uma vida toda para dominar. Apenas por dizer essas coisas algumas vezes e ajudando com algumas coisas, aquela pessoa se tornou uma fotógrafa incrivelmente criativa, e ela só tem quatorze anos. Ela vai ser como eu era se continuar no mesmo ritmo: quando eu tinha dezointo anos, já tinha mais o que dizer como fotógrafo do que muitas pessoas de vinte e tantos anos normalmente têm, pois eu não complicava tudo com outras coisas. Eu passava todo o tempo apenas olhando e buscando. E eu não estou entulhando a garota com um monte de bobagens. Apenas digo “Olhe pras coisas”, pois estou considerando como algo garantido que ela esteja sendo bombardeada com milhares de imagens todos os dias, imagens profissionais, imagens da mídia que são criadas por pessoas que passaram muito tempo aprendendo como ficar tão boas no que elas fazem, revistas que têm imagens dos melhores fotógrafos do mundo estão todas à disposição dela. A garota já está usando tudo isso, logo é só uma questão de o quê ela vai fazer com isso, e eu não posso me atrever a chegar e mostrar um monte de coisas do nada. Eu já vi todas as coisas estúpidas fazem com relação às regras de composição e isso e aquilo; essas regras são iguais às regras gramaticais. As pessoas sempre chegam a elas depois de passar milhares de anos fazendo as coisas na prática. As regras são explicações posteriores às coisas que já existem, elas não são o jeito como você faz as coisas. Sobre as regras pode-se dizer que “Explicam a maneira como as pessoas sempre fizeram as coisas.” Há um padrão que se repete. Mas elas não são o modo como você faz as coisas.


 

Sempre me surpreendo com o quanto as pessoas apostam no resultado. Quando as pessoas ensinam Inglês para crianças, elas passam todo o tempo ensinando o que é um substantivo e coisas assim. Isso é o que alguém pensou depois! Se você quer ensinar um idioma para uma pessoa, converse com ela. Se você vai ensiná-la a escrever, deve haver um contexto dentro do qual ela vá querer escrever ou, na falta disso, algo real sobre o que escrever que você possa dar para ela exercitar a escrita. É por isso que a maior parte da escrita na escola é tão desumana. Qual é o propósito? Eu simplesmente não consigo entender. Ela não funciona em nenhum nível, exceto com um exercício de inutilidade. Ela não aproxima ninguém da expressão real, não aprofunda a compreensão, apenas cria uma grande massa de mediocridade. As pessoas precisam ter um motivo melhor do que esse para organizar seus pensamentos no papel. Acredito que muitas pessoas não encontram uma justificativa real para organizar seus pensamentos no papel até estarem em uma situação em que esse é o único jeito de organizar os pensamentos, como quando você tem que apresentar um relatório por escrito. Agora, é assustador pensar que as pessoas nunca terão escrito um relatório até que tenham que entregar um relatório escrito, mas, de certo modo, isso não é diferente dos relatórios da Comissão de Justiça e das propostas para a Assembleia que escrevemos o tempo todo na escola. Vocês sabem como eles são? São totalmente sóbrios e econômicos, não há excesso de texto. Quando escrevemos um relatório do que aconteceu, geralmente ele tem uma frase ou duas. As propostas mais complicadas tem umas duas frases. Para mim, isto é o mais importante na escrita: expressão com economia. Claro, se você tiver que escrever algo maior você vai ter que escrever mais, mas você não deve perder de vista que cada frase deve dizer algo.


 

Acho que os bons escritores têm isso em comum. A edição é tudo. A questão não é produzir uma massaroca de palavras; mas produzir a menor quantidade de palavras que de algum modo vão expressar o máximo e fazer valer cada palavra. Penso que essa ideia de que é preciso escrever um relatório de dez páginas como se o significado tivesse a ver com a quantidade de páginas é a mesma coisa de falar para alguém escrever um romance de 550 páginas. Ou a história vai ter um certo tamanho ou não vai ter. Você não pode empacotar significado. Quer dizer, certamente, as pessoas podem prolongar todo tipo de mediocridade, mas é isso que pretendemos treinar as pessoas para fazer? Gente criativa pode criar mediocridade facilmente; o difícil é criar algo realmente bom. Tenho a sensação de que muito disso é preparação para empregos que já não existem mais.

 

 

NOTA

 

1 O texto original foi dividido em partes pelo tradutor para que sua leitura seja mais leve, pois o texto completo é bastante longo para leitura on-line.

Please reload

Siga-nos
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now