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Será que a gente pode parar de se preocupar tanto com a aprendizagem?

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Será que a gente pode parar de se preocupar tanto com a aprendizagem? Aprender é algo tão natural quanto respirar, então por que tanta preocupação com isso?


 

por Aaron Browder, membro da equipe da Open School
26 de setembro de 2017

 

Disponível em: http://www.openschooloc.com/wp/2017/09/26/can-we-please-stop-obsessing-about-learning/

 

Traduzido por Luís Gustavo Guadalupe Silveira, membro da equipe da Casa da Árvore

 

 

 

Acaba de começar uma música no rádio — Starlight, da banda Muse. Estou cantando junto e, pelo jeito, eu sei a letra toda. Como aprendi? Não faço ideia. Nenhum professor me ensinou a letra. Não tive que fazer exercícios, nunca tive que recitá-la repetidas vezes nem fiz uma prova. Só fui pegando a letra após ouvir a música uma dúzia de vezes.

 

Eu sei tocar piano, ainda que nunca tenha tido nenhuma aula de piano. Nunca tentei aprender a tocar piano — nunca me sentei e pensei: “Vou aprender a tocar piano agora.” Em vez disso, decidi aprender uma música de que gostava e trabalhei nela, nota por nota. Muitas músicas e vários anos depois, percebi que era capaz de tocar piano.

 

Aprender e respirar

 

 


 

Eu sei. Todos queremos que nossos filhos cresçam para se tornarem membros da sociedade bem-sucedidos e produtivos. E para fazer isso, eles precisam aprender todas as coisas certas enquanto são crianças. E para fazê-los aprender essas coisas, precisamos ser capatazes vigilantes ao longo de toda a sua infância.

 

Mas se você se permitir, como eu fiz, cair na preguiça e negligenciar seus deveres como capataz por um tempo, e então, talvez vários meses depois, perceber acidentalmente que sua criança aprendeu uma extraordinária quantidade de coisas sem um pingo de esforço da parte de ninguém, no final das contas começará a imaginar se realmente precisa ser um capataz vigilante.

 

Isso é o que eu, junto a aproximadamente 70 escolas Sudbury e algumas dezenas de milhares de unschoolers descobrimos em nossa experiência com crianças. Nas escolas Sudbury não há professores, aulas, currículo ou provas. Estudantes Sudbury não pensam no aprendizado — eles simplesmente brincam, conversam e seguem suas paixões — mas 50 anos de história nos contam que todos aprenderam a ler, a fazer contas, desenvolveram habilidades valorizadas pelo mercado e se tornaram membros da sociedade bem-sucedidos e produtivos.

 

Descobrimos que aprender é muito parecido com respirar. Caso você pense que irá se asfixiar se parar de pensar em respirar (o que seria terrível e mortal), irá ficar obcecado por respirar a cada segundo da sua vida e isso será terrível. Mas assim que você perceber que a respiração continua quando você para de pensar sobre ela, deixa de se preocupar.

 

É a mesma coisa com a aprendizagem das crianças.

 

Aprendizagem mensurável vs. todo o resto


 

 

 

Tanto cantar quanto tocar piano são exemplos de aprendizagem mensurável. Ainda que eu nunca tenha feito uma prova de canto ou de piano, poderia ter feito. Outros exemplos de aprendizagem mensurável são dados biológicos, idiomas e tabuada.

 

Nossa cultura é obcecada com aprendizagem mensurável. Ficamos nervosos sempre que as crianças não estão passando tempo aprendendo coisas assim. Mas como mostram meus exemplos, aprendizagem mensurável acontece o tempo todo, estejamos medindo ou não.

 

O cerne da questão é que a aprendizagem mensurável só corresponde a uma pequena fração de toda a aprendizagem que fazemos em nossas vidas. O resto é incomensurável.

 

Uma vez, eu estava passando o tempo com uma criança em idade pré-escolar e tínhamos alguns lápis e pedaços de papel, e perguntei a ela o que eu deveria desenhar. Por falta de habilidades verbais, ela desenhou uma forma em seu papel e indicou que eu deveria copiá-la. Eu copiei e ela ficou entusiasmada. Logo aquilo virou um jogo em que ela rabiscava alguma coisa e eu tinha que copiar, e ela examinava meu trabalho antes de desenhar outro símbolo. Brincamos daquilo até cansar.

 

Eu não fazia ideia de qual era a graça daquela brincadeira para a minha amiga de 4 anos de idade. Mas eu imaginei. Talvez ela estivesse construindo um modelo mental de como símbolos funcionam — como as pessoas fazem símbolos e como as pessoas os interpretam. Talvez aquilo fosse uma preparação para as habilidades de escrita. O que eu quero dizer é que é um mistério total para mim, para você ou para qualquer cientista. Se algum cientista tentar lhe dizer o motivo pelo qual essa menina está brincando, com um ar de autoridade, pode revirar os olhos à vontade. É tudo especulação.

 

Minha outra tese é que essa brincadeira era educativa, sem sombra de dúvida. Minha amiga de 4 anos de idade estava aprendendo algo — as coisas estavam se encaixando em sua mente — e por consequência, seu cérebro a estava recompensando com satisfação. Para mim, não é preciso medir mais nada além disso.

 

Você não vai encontrar construção de modelos mentais em nenhum currículo escolar por aí, porque é algo que não dá para medir e eu ficaria surpreso se você encontrasse alguém capaz de entender isso.

 

20 coisas mais importantes que a tabuada


 

 

1 - Como fazer amigos

2 - Como lidar com a rejeição

3 - Como ler as emoções dos outros

4 - Como ler suas próprias emoções

5 - Como ser sincero

6 - Como identificar uma mentira

7 - Como contar uma história

8 - Como seguir uma paixão

9 - Como fazer planos

10 - Como se recuperar de planos furados

11 - Como tomar uma xícara de café sem derramar nada no seu laptop

12 - Como ter uma ideia

13 - Como vender uma ideia

14 - Como defender suas convicções

15 - Como dizer não

16 - Como negociar

17 - Como realizar algo por conta própria

18 - Como resolver problemas que ninguém resolveu antes

19 - Como aprender a usar uma nova tecnologia

20 - Como administrar seu dinheiro

 

Você não vai encontrar nada disso em um currículo padrão. Ainda assim, muitas pessoas aprenderam essas coisas.

 

Isso não deveria ser nenhuma surpresa. O propósito da escola é ensinar assuntos que nunca seriam aprendidos fora da escola. Eu gosto da maneira como James Herndon coloca essa questão em seu livro How to Survive in Your Native Land. Ele discutiu sobre como as escolas ensinam tudo sobre a linhaça, uma planta do Velho Mundo, mas nada sobre o milho. As notas dez vão para as crianças que se lembram das informações sobre a linhaça. É claro que a escola não vai dar dez para a criança que souber tudo sobre milho, porque ela pode aprender sobre isso com seus avós e ir aos campos de milho para vê-lo crescer e comer milho no jantar. Se uma criança souber tudo sobre milho isso não prova que ela estava prestando atenção nas aulas. Mas se ele sabe sobre a linhaça, é por que ele deve ser um bom estudante.

 

O bom estudante irá aprender sobre linhaça, mas o esperto irá perceber que a linhaça é um problema do Velho Mundo, e que ele vive no Novo Mundo, e nós não ligamos para linhaça aqui. Então, o estudante esperto vai sair dessa sala de aula para aprender sobre coisas reais enquanto vive no mundo real.

 

Bem, com o quê deveríamos nos preocupar, então?


 

 

 

Acredito que a cultura ocidental do século XXI esteja enfrentando um dilema. Ainda que possamos aceitar que não precisamos nos preocupar em aprender álgebra ou francês para levarmos uma vida satisfatória e bem-sucedida (e sei que isso, para muita gente, é algo difícil de engolir), ainda achamos que precisamos nos preocupar com alguma coisa.

 

Dizemos que, ainda que as crianças não precisem mesmo aprender álgebra, elas precisam aprender a aprender, ou (para pegar um item aleatório daquela minha lista ali de cima) elas precisam aprender a vender uma ideia, e achamos que nós é que temos que ensinar isso a elas. Mas ninguém precisa ser ensinado sobre como aprender (nascemos sabendo fazer isso) e ninguém precisa ser ensinado a vender uma ideia (aprendemos isso ao tentar vender nossas ideias, acertando e errando um monte de vezes, que é algo que as crianças fazem o tempo todo, sem que haja necessidade da intervenção de um adulto).

 

O dilema é este: a imagem de crianças aprendendo sem a intervenção de um adulto é uma imagem de um mundo em que educadores são desnecessários, em que os pais e mães só precisam prover um ambiente seguro e amoroso para seus filhos. Morremos de medo de nos tornarmos irrelevantes.

 

Mas os adultos ao longo de quase toda a História humana não se preocuparam com isso. Para eles, era suficiente que as crianças precisassem dos adultos para amizade, alimentação, segurança, como exemplos de comportamento e, ocasionalmente, para conselhos. Eles sabiam essas coisas e sabiam que não eram irrelevantes.

 

Então, podemos parar de nos preocupar com a aprendizagem? Podemos parar com os jogos educativos e objetivos de aprendizado? Podemos sair para um passeio na natureza sem ter que levar uma prancheta com instruções do tipo identifique as plantas e crie hipóteses científicas? Não podemos simplesmente ouvir e curtir o som dos pássaros e das folhas sob nossos pés?

 

Podemos ir para o Brasil sem nos preocuparmos com estudo de línguas estrangeiras e estudos multiculturais e em lugar disso aproveitar toda a experiência e permitir que nossos corações se maravilhem? Não podemos apenas explorar as cidades e a natureza e nos empolgar com cada nova descoberta?

 

Não podemos usar computadores sem tópicos de apostila como habilidades de digitação, usando mecanismos de busca e instalando um sofware? Não podemos simplesmente aceitar que uma criança que queira jogar Roblox vai ter que descobrir como digitar “Roblox” num mecanismo de busca e como instalar o software antes de poder jogar?

 

Podemos parar de andar em volta das crianças, ansiosamente lembrando-as de que precisam respirar?

 

As crianças vão aprender. Não precisamos nos preocupar com isso. Elas não precisam se preocupar com isso. Todo segundo gasto se preocupando com a aprendizagem é um segundo a menos de imersão na experiência, olhando, escutando, pensando, tentando, crescendo.

 

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