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A magia da conversação - parte 5

September 25, 2017

 

 

A magia da conversação – parte 5¹

 

Michael Greenberg

Disponível em: http://www.sudval.com/essays/022008.shtml

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

A privacidade é outra questão relacionada a tudo isso. A qualidade de muitas conversar tem a ver com um estranho senso de privacidade. As coisas mais profundas frequentemente são aquelas que você não se sente à vontade para compartilhar com todo mundo. As coisas que realmente o preocupam, as que causam temor, na maioria das vezes são coisas que você só se sente confortável para compartilhar com um grupo seleto. Ter esse grupo seleto sem ter um monte de gente em volta é a chave para que haja conversar significativas. Você precisa ser livre para escolher com quem conversar, com privacidade. Ainda assim, o que é engraçado, eu tenho percebido na escola um contraponto a isso, que são pessoas tendo conversas muito particulares perto de outras pessoas, por exemplo, dois adolescentes conversando sobre assuntos como sua relação com seus pais. Não é o tipo de conversa que eles teriam na frente de qualquer membro da equipe, ou outros amigos adolescentes. Ainda assim, há um grupo de crianças pequenas brincando a poucos metros de distância que certamente estão ouvindo tudo que está sendo dito e que, por algum motivo, os adolescentes têm confiança de que não irão contar a conversa aos seus pais ou a outras crianças. Por alguma razão, eles acham que aquelas crianças irão respeitar a sua privacidade. Eu vejo isso acontecer a todo momento e pergunto “Vocês querem conversar em outra sala?”, e eles respondem “Ah, não, está tudo bem.” É como se eles estivessem em outro mundo, acreditando que aquelas crianças não vão usar aquela informação de maneira egoísta como talvez outros adolescentes fizessem. Assim, as crianças pequenas são expostas a todo tipo de conversa que elas normalmente nunca ouviriam e que são muito úteis para elas, eu acho. Isso é algo bastante confuso também, então muita coisa está arquivada para futura referência.

 

Assim, não dá para medir a privacidade claramente. Pessoas podem ter uma conversa particular no meio de uma sala lotada, mas ainda sentirem que estão tendo uma conversa privada pois sabem que ninguém vai se intrometer na conversa, por exemplo, ou irá dar palpites ou que vai falar para outras pessoas sobre a conversa. Isso é muito interessante e complexo e eu não tenho certeza sobre qual é o fundamento disso tudo.

 

Como a privacidade é um elemento chave, o direito de ir e vir surge como um direito muito importante. A menos que você tenha o direito de escolher seu lugar e em certa medida controlar isso mais ou menos assim “Eu vim até aqui, onde não tem ninguém, para conversar em particular”, as conversas perdem completamente o sentido. Não dá para separar as duas coisas. É preciso ter liberdade de ir e vir para que a liberdade de conversar tenha sentido.

 

Se as pessoas forem honestas consigo próprias sobre a maneira como aprendem, vão perceber que frequentemente assumem um trabalho e não aprendem o que precisavam aprender num manual, mas principalmente fazendo e conversando. O modo como a maioria das pessoas aprendem uma tarefa complexa é conversando com pessoas que já têm experiência, que estão inseridas no ambiente em que a tarefa é feita e também realizando as tarefas. O método de tentativa, erro e comunicação ainda é o principal jeito de aprender as coisas. Todos os panfletos, livros e coisas do tipo, feitas para ajudar as pessoas a aprender, são apenas portas de entrada. Caso tenha escolha, a maioria das crianças também vai preferir aprender conversando e praticando, em vez de indiretamente, lendo e vendo demonstrações. As crianças preferem fazer, cometer erros, conversar e continuar tentando. Sempre foi assim; apenas nos últimos duzentos anos as pessoas se distanciaram dessa maneira de aprender. Não aprender na prática é que é a exceção; aprender assim é algo que acontece naturalmente para praticamente todo mundo e é essencialmente um subproduto do funcionamento da mente humana. A falta de oportunidades reais para conversar é provavelmente a pior coisa sobre o sistema escolar tradicional de hoje. Toda essa via de mão única de professor, livro, pergunta e resposta é um grande limitador das conversas. Se as pessoas apenas conversassem sobre um assunto qualquer, seria bem melhor.

 

Fico maravilhado ao ver o quanto as pessoas realmente não querem ser instruídas além de algumas coisas básicas e depois deixadas para descobrir por conta própria. O quanto as pessoas estão dispostas a reinventar a roda, só pra saber como a roda funciona. O quanto elas irão escolher dizer “Me mostre como usar isso” e então correr para usar sem necessariamente perguntar quais são as melhores maneiras de usar aquilo. As pessoas realmente querem aprender metendo a mão na massa e, por causa disso, muitas crianças vão solicitar apenas o que parece ser uma instrução muito rudimentar. Em minha própria experiência, tive um professor de teoria musical com o qual não fiz muita coisa. Tenho certeza que, do seu ponto de vista, ele não me ensinou nada relevante. Contudo, o que ele me ensinou foram as ferramentas básicas por meio das quais tenho sido capaz de memorizar em vez de escrever minha música. Antes de ter aulas com esse professor eu não tinha a menor ideia de por que diferentes combinações de notas são chamadas de tipos diferentes de acordes. Por me fornecer uma linguagem que descreve os intervalos musicais, ele me deu uma terminologia com a qual, ao tocar um monte de notas, sou capaz de dizer qual é o tom e que tipo de estrutura esse acorde possui. Dar nome me ajuda a lembrar depois. Eu precisava de um conjunto de nomes pras coisas como uma ferramenta mnemônica para me ajudar a lembrar de todos os sons que eu estava produzindo. Para ele, tenho certeza, dentro da grande área da teoria musical, era como se não tivéssemos nem arranhado a superfície, como se ele não tivesse me dado nada. Mas eu realmente não precisava de alguém pra me ajudar com meu diálogo interior na hora de escrever músicas. O que eu precisava era alguém que me ajudasse com algumas ferramentas que me ajudassem a lembrar o que eu havia feito, mas eu não sabia o que pedir. Eu pedi por teoria musical porque parecia ser a coisa certa a fazer e assim que eu consegui os nomes, foi: “Obrigado, falou!” E daí parti para os próximos vinte anos escrevendo música sem mais nada de teoria musical que estou certo seria ótimo saber, que tenho certeza que abrange estruturas profundas e tudo o mais, porque esse não é o tipo de compositor que eu sou.

 

Cada pessoa pega uma coisa diferente, mas esse foi um exemplo clássico. O mais importante pra mim foi pegar um pouco de treinamento formal e usar como guia. Mostre-me como fazer o básico e eu faço todo o resto. Aponte a máquina pra mim e me diga como ela funciona que eu descubro todo o resto sozinho. Eu alcancei conquistas de nível profissional? Sim, alcancei. Pois eu acho que muita gente faz isso, e crianças fazem isso o tempo todo. Elas não querem que mostrem pra elas todos os detalhes. Elas apenas desejam que lhes seja apontada uma direção e então elas preenchem as lacunas à sua própria maneira porque assim a conquista é delas, é algo delas, que elas fizeram. Para mim, foi um grande insight educacional quando eu finalmente percebi como eu funcionava e percebi que as pessoas que eu considerava meus grandes professores e minhas grandes inspirações foram pessoas que simplesmente me ensinaram os aspectos rudimentares do assunto, coisas que qualquer um poderia ter me dito, coisas que não dariam a ninguém o status de grande mestre. Apenas me mostre algo simples e saia do meu caminho – frequentemente isso é o que faz de você um grande professor num contexto de educação livre porque as pessoas estão realmente trilhando seu próprio caminho. A esse respeito, descobri que ensinei muita coisa pras pessoas porque mostrei algo básico e saí da frente delas. Alguém de fora poderia dizer que eu ensinei os estudantes a fazer isto, isto e aquilo, ao que eu responderia: Ora, não ensinei não. Apenas mostrei uma coisa, abri caminho e deixei que elas conversassem a respeito.

 

NOTAS

1 O texto original foi dividido em partes pelo tradutor para que sua leitura seja mais leve, pois o texto completo é bastante longo para leitura on-line.

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