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A magia da conversação - parte 4

January 28, 2017

A magia da conversação – parte 4¹

 

 

Michael Greenberg

Disponível em: http://www.sudval.com/essays/022008.shtml

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

É aqui que a mistura de idades se torna tão importante. O fato de pessoas de diferentes faixas etárias se misturarem livremente na escola as coloca claramente em lugares diferentes de conversação. O que acontece na escola é uma coisa bonita de se ver: uma pessoa estendendo uma ponte em uma conversa filosoficamente abstrata, que está tendo comigo, entre a gente e outros participantes bem mais jovens e que perguntam "O que isso quer dizer?". Eu pretendo responder isso na mesma linguagem, o que obviamente não funciona, então outra pessoa diz: “Bem, não, o que eles querem dizer é tal coisa...”. Essa outra pessoa explica de uma forma diferente exatamente o mesmo assunto, mas de um jeito que os mais jovens conseguem entender. Por exemplo, quando eu estava tentando ensinar números negativos, estava tentando descrevê-los usando a teoria da conta bancária, que parece ser o lugar na minha vida pessoal em que sempre uso números negativos. Eu tentava ilustrar assim: você começa com uma conta vazia no banco e coloca dez dólares, mas então gasta quinze. Você gasta seus dez dólares e o banco lhe empresta cinco, então podemos dizer que seu saldo é de menos cinco. Em outras palavras, você deve cinco dólares ao banco, mas a maneira como isso é registrado é menos cinco. Claro que aqueles garotos nunca tiveram contas no banco e vão falar: “O que você quer dizer com isso?” De repente, uma garota diz: “Ah, é tipo temperatura, quando está abaixo de zero.” Eu nunca havia pensado em temperaturas como números negativos, mas claro que é exatamente o mesmo princípio. Se você está a 50 graus acima de zero, você está a certa temperatura, se você está a 50 graus abaixo de zero, é outra temperatura. Aqui isso faz muito mais sentido porque o zero é apenas um ponto arbitrário na escala, a partir da qual os números fluem em ambas as direções, o que é justamente a lógica dos números negativos. Você não pode ter um zero verdadeiro tanto quanto não pode ter o maior número possível, pois assim como não há o maior número de todos, não há o menor número de todos, considerando a existência do princípio de substração. Logo, o infinito vai em ambas as direções e o zero é apenas o meio, ainda que ele não esteja mais no meio do que qualquer outro número. É algo completamente arbitrário. Claro que eu entendi tudo isso, e percebi que a escala de temperatura era um exemplo muito mais vívido do que a conta no banco, especialmente para crianças que experimentam a temperatura cotidianamente, mas não possuem contas no banco. O fato é que a analogia da garota era muito melhor que a minha. Ela conseguiu dar um exemplo mais adequado porque estávamos tentando explicar algo e a garota entrou na conversa: “Ah, é tipo tal coisa!” Isso pra mim é totalmente dinâmico. É como alguém perceber as fronteiras de um conceito e de repente fundi-lo com sua própria analogia, de modo que ela faz muito mais sentido que a minha analogia original. O que estávamos fazendo era tanto uma conversa quanto uma aula. Eu estava tentando explicar um conceito e ela estava expondo sua falta de compreensão para mim até que finalmente tudo se esclareceu; mas foi a tentativa de explicação de seus amigos que a fez compreender, não a minha tentativa. Há milhares de exemplos como esse, e todos ilustram a maneira pela qual as diferentes idades das crianças fornecem diferentes níveis de analogias e diferentes tipos de conversação que são adequados para levar as pessoas à compreensão.

 

A genialidade de certos políticos, por exemplo, é sua habilidade de usar uma linguagem apropriada para o seu eleitorado. Você pode dizer que eles não estão utilizando um argumento bem fundamentado, mas eles conseguem transmitir suas ideias, e isso faz deles ótimos políticos, enquanto você é só um pateta no canto reclamando que aquele não é um argumento bem fundamentado. Você pode discorrer sobre todo o blá-blá-blá financeiro que quiser, mostrando que no ano de 2007 o sistema de Previdência Social estará quebrado, o que pode não angariar nenhum voto, enquanto se aproximar de idosos e dizer “Você quer que eles vivam na miséria?” de repente pode ter um tremendo impacto. Um político pode não perder tempo com gráficos e coisas do tipo quando podem simplesmente chegar nas pessoas e dizer “Quando você envelhecer, você não quer usufruir da Previdência Social? Porque eu tenho esta proposta aqui toda complicada de mil páginas que acredito que irá resolver isso, cuja essência é pagar mais hoje para não quebrarmos no futuro.” É com base nisso que as pessoas vão decidir. Elas não vão necessariamente verificar todas as fórmulas que fundamentam o argumento, pois a linguagem do discurso político não é uma linguagem que precisa conhecer todos os fatos, não é uma análise profunda de todas as tendências possíveis sob todos os pontos de vista existentes. A linguagem do discurso político é frequentemente uma linguagem emocional como “Eu quero ser morto por um bando de sérvios?” Não tem a sofisticação de um “Bem, se vocês me permitem partir do histórico internacional, ou blá, blá, blá...”. Ou “Eu posso me sentar confortavelmente em minha casa nos EUA enquanto sou bombardeado por imagens de milhares de pessoas sendo expulsas de suas casas?” Então, isso resultaria em algo como “Sim, eu quero morrer na Sérvia por que essa é a única maneira de evitar que isso aconteça?” Para muitas pessoas, todas as camadas que compõem a complexidade de todo o resto são apenas camadas. O xis da questão frequentemente é “Você quer que as pessoas passem fome? Você pode arcar com mais gastos para realizar tal coisa? Você quer morrer lá?” Muitas vezes, a coisa é colocada em termos bastante diretos, e todas as camadas subjacentes são meio que irrelevantes. O que acontece quando as coisas saem do rumo e começam a caminhar em uma direção ruim? Quase sempre é a pessoa que consegue condensar todas as razões subjacentes em um slogan pequeno e bonito que realmente explica as coisas. Você pode ser capaz de ver claramente a razão de tudo, mas você é capaz de explicar? Você é capaz de convencer milhões de pessoas ao mesmo tempo? Nem sempre. Muitas vezes, a diferença entre um grande líder e um grande pensador está na capacidade de capturar a emoção.

 

Assim, até mesmo em escala global, a conversação opera em muitos níveis diferentes. Muitas vezes, com os jovens, você precisa colocar as coisas em termos diretamente emocionais sem explicar todo o pano de fundo do assunto. Você tem que ir para o nível no qual as pessoas querem que a conversa aconteça. Não é apenas uma questão de idade, claro; é uma questão de maturidade também. O que é interessante é observar pessoas tendo as mesmas conversas em todos esses níveis diferentes, porque, quando você está diante de pessoas de faixas etárias diferentes, tende a pensar que uma criança de 5 anos de idade tem um senso filosófico muito menos desenvolvido, mas um nível emocional tão desenvolvido quanto o seu, e por ter um senso filosófico menos desenvolvido, você vai ter que lidar é com as emoções. Você diz “Não é justo.” Você não está necessariamente explicando a razão de aquilo não ser justo, está apenas dizendo “Veja, quando você quer brincar com um brinquedo você não quer que as pessoas sejam egoístas. Então, é fazer com os outros o que você quer que façam a você, de uma forma direta. Você tem que dividir isto com os outros pois como você se sentiria se tentasse jogar um jogo e eles não o deixassem brincar?” “Ah, eu me sentiria mal.” Você coloca em termos que eles conseguem compreender, porque precisa fazer isso para se fazer entender. Se você disser “Faça com os outros o que você gostaria que fizessem a você”, eles vão pensar “O que isso tem a ver com o que está acontecendo? Eu estou segurando uma bola aqui.” Você falou alguma coisa que nem menciona a palavra bola, logo não vai chegar a lugar algum nesse momento específico de ânimos exaltados.

 

Os adultos em nossa escola precisam aprender isso tudo tanto quanto as crianças porque, muitas vezes, os adultos estarão tentando explicar algo de uma forma que parece razoável para eles e as crianças estarão falando de uma coisa completamente diferente. Por exemplo, quando uma questão surge e as crianças vão conversar sobre como isso as faz sentir. Elas poderão dizer “Não me interessa se está certo ou errado, o jeito que o fulano falou comigo é inaceitável.” A conversa agora é sobre o jeito de falar. Não é sobre os méritos daquilo que está sendo dito. Agora é: “Não interessa o que você diz, você não tem o direito de falar daquele jeito comigo.” E a outra pessoa irá dizer: “Bem, eu falei daquele jeito porque você não estava concordando com isso, isso e aquilo, então a única coisa que eu podia fazer era falar daquele jeito.” “Não. Eu não vou nem pensar no que você está dizendo se você falar comigo assim.” Quem está certo aqui? Eu entendo os dois lados, porque você não pode esperar que alguém vá ouvir os seus argumentos caso esteja falando de um jeito tão desrespeitoso que a outra pessoa não vai nem continuar a conversa. Assim, os adultos precisam aprender o máximo possível sobre os aspectos emocionais de um argumento quer você esteja discutindo somente o argumento em si, quer esteja focando no contexto, e todas as coisas do gênero.

 

Um exemplo concreto é a questão da confiança. Uma pessoa de confiança pode dizer coisas que uma pessoa em quem não confiamos não pode. Mesmo se estiverem dizendo a mesma coisa, se você ouvir isso de uma pessoa em quem você não confia, não interessa o que ela está falando, pois você não confia nela. É como se o líder da CIA dissesse para o americano comum um blá-blá-blá qualquer e a pessoa pensasse: Ele é o líder da CIA, eu não posso confiar nele. Ao passo que sua própria mãe pode dizer a mesma coisa e ele vai concordar plenamente com o mesmo argumento, porque ele confia em sua mãe, mas não confia no líder da CIA.

 

O poder é outro grande motivador para aprender como conversar, pois grande parte do poder de uma pessoa está em quão boa comunicadora ela é, e parte disso tem a ver com confiança. Você pode dispor das palavras mais eloquentes do mundo, mas se você tiver perdido completamente a confiança das pessoas, isso não significa nada. E frequentemente a confiança não está baseada somente em eloquência e retidão, mas é baseada na percepção do respeito e em como você tratou a pessoa cotidianamente. Como várias outras coisas, vale a pena compreender esse conceito profundo e misterioso. Como alguém ganha a confiança dos outros é algo muito vago. Porque se confia em uma pessoa e não em outra? As próprias crianças serão as primeiras a dizer que elas acreditam que qualquer adulto envolvido na escola está aqui provavelmente pela boa razão de querer ser parte de um empreendimento que garanta liberdade às crianças. Contudo, ao mesmo tempo, elas não vão confiar em todo mundo só porque você é um adulto e calhou de estar na escola. Você precisa ganhar a sua confiança por meio de um zilhão de pequenos gestos que mostram que você não é apenas outra pessoa solícita, ou mais uma pessoa desconfiada por causa do jeito que elas prendem o cabelo, ou outra pessoa que faz queixas contra elas só porque elas têm 6 anos de idade e não de crianças mais velhas, e coisas do tipo.

 

NOTA

 

1 - O texto original foi dividido em partes pelo tradutor para que sua leitura seja mais leve, pois o texto completo é um pouco longo para leitura on-line.

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