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A magia da conversação - parte 2

September 15, 2016

A magia da conversação – parte 2¹

 

Michael Greenberg

Disponível em: http://www.sudval.com/essays/022008.shtml

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

Mesmo que a pressão de certos tipos de necessidades comerciais tenha tornado as pessoas cada vez mais isoladas em cubículos, lidando com computadores, meio que excluídas de conversações, ainda persiste essa grande sede por contato humano. Você pode conversar com alguém pelo computador durante um ano, mas quando vai realmente fechar um negócio, você quer se sentar numa mesa com essa pessoa. Por quê? Por que algumas pessoas confiam mais em alguém que viram pessoalmente do que em alguém com quem só se relacionaram à distância? É quase como se algo na aparência e na maneira da pessoa agir fosse revelar coisas que as palavras sozinhas não podem, o que é um princípio judicial amplamente respeitado no sentido de que testemunhas são avaliadas por seu comportamento, não somente pela transcrição daquilo que disseram. O júri sempre observa a pessoa e como ela age; isso representa uma grande parte de seu juízo sobre ela. Assim, da mesma forma, quando crianças são deixadas à vontade, é natural que elas passem a maior parte de seu tempo buscando fazer valer cada segundo. Uma interação direta com uma pessoa trará muito mais possibilidades de aprendizagem do que uma interação com um livro.

 

Em seguida, existe a relação entre falar e pensar. Para mim, essa é outra razão que explica por que as pessoas passam tanto tempo conversando. A mente humana está em um fluxo que de certo modo é muito parecido com uma conversa. O eu interior das pessoas não é perfeitamente organizado em capítulos, parágrafos e todas as outras ótimas convenções da escrita. Ele é muito mais parecido com a fala, pois quem você é e quem você se torna ao longo de anos sendo você mesmo têm, numa escala ampliada, os mesmos elementos de uma conversa longa e profunda. Ele tem suas imprevisíveis idas e vindas, seus raros momentos de pura felicidade, suas viradas bruscas em direção ao desespero, seu desenvolvimento sem nenhuma ordem aparente e ainda, ao mesmo tempo, seu caráter é sua própria definição. Você é este estranho acúmulo de todos esses pensamentos aleatórios que você enfileirou, o jeito da conversa, o modo como tudo o que você fala está ordenado. De algum modo, como você conversa e quem você é são coisas muito ligadas, e não se pode separar uma da outra sem um sentimento de falsidade ou uma sensação de ser removido da realidade.

 

Certamente, as pessoas percebem o valor de ser capaz de olhar e compreender as coisas de uma maneira imparcial e analítica. Mas as pessoas percebem que um tipo de análise muito mais importante é a aquela que acontece na hora. Veja, por exemplo, o que acontece durante a Assembleia Escolar. Você tem uma programação escrita na qual as pessoas registram propostas concretas. Mas o que faz uma proposta ir para frente ou não é, em grande medida, o livre fluxo, não-registrado e não-escrito, da conversa sobre a proposta. A habilidade de falar sobre alguma coisa, esclarecê-la na hora, fazer conexões, argumentar, escutar o que as outras pessoas têm a dizer, integrar isso tudo e reformular seu próprio pensamento, é uma habilidade crucial de pensamento que praticamente todo mundo precisa ter. Todos precisamos extrair sentido do nosso turbilhão de pensamentos a fim de falar sobre eles com outra pessoa, e então, sendo capaz de entender as coisas naquele momento, a pessoa pode improvisar suas próprias respostas àqueles pensamentos, e nós podemos improvisar uma réplica. A coisa toda precisa ser clara para que você possa interagir efetivamente com outras pessoas. Realmente não importa se você sabe se está certo ou errado; se não conseguir se explicar para outra pessoa, você estará somente tateando no escuro. A habilidade de se explicar para outra pessoa é a habilidade de estar no mundo e de transmitir seus pensamentos para os outros. Em todos os momentos da vida, você constantemente estará diante dessa qualidade improvisadora do pensamento que permite dizer aos outros “Vamos nos sentar para ler isso e discutir”, e então ler e depois poder dizer “OK, é assim que as coisas se parecem para mim”, e criar uma espécie de quadro geral a partir daquilo que você acabou de experimentar, e então poder ouvir as críticas das outras pessoas sobre esse quadro, pegar essas críticas e integrá-las naquilo que você acabou de pensar, e refutando ou incorporando-as a seus próprios pensamentos, tudo naquele exato momento, em tempo real. Esses são os processos pelos quais você precisa passar confortavelmente no momento da conversa. A pior coisa que existe, para mim, é ser uma pessoa desarticulada. A maior parte do tempo, não é que as pessoas sejam totalmente desarticuladas; é que elas só vão pensar dois dias depois sobre o que deveriam ter dito. Por que não pensaram na hora, quando dizer alguma coisa teria feito sentido? É aquela terrível sensação de perder o momento certo. E não dá para procurar aquela pessoa e de repente trazer de volta a questão que você havia deixado passar. Aquele momento já passou e na próxima vez você irá fazer uso das lições que aprendeu, mas agora o momento ficou para trás e você estragou tudo por ter sido inarticulado. 

 

Os seres humanos são animais sociais. Praticamente todas as coisas importantes que podemos fazer no mundo são realizadas na companhia de outras pessoas. Mesmo o maior solitário do mundo, cedo ou tarde, pega o resultado de sua solidão e tenta oferecê-lo a outras pessoas. Você pode fazer um monte de coisas por conta própria, mas elas raramente terão sentido antes que outras pessoas tenham contato com elas. A noção do que é significativo para as pessoas vem da convivência em grupo. Assim, o que importa é descobrir a maneira mais eficiente de comunicação no grupo. Você até pode afirmar que certo grupo se expressa por meio de sua bela dança sagrada. Certamente, há uma profunda forma de expressão ali que pode não existir na esfera das palavras ou em outros meios, razão pela qual o grupo conservou sua dança sagrada por dez mil anos; há algo de verdadeiro e de muito importante nessa dança. Mas, ao mesmo tempo, grande parte da vida não diz respeito a esse tipo de experiência. Grande parte da vida é feita de “Vamos lá semear o campo, plantar milho lá no final e cuidar das cenouras.” Não dá pra dançar isso, é preciso dizê-lo. E então alguém diz “Por que vamos plantar milho ali?”, “O milho deve ser plantado aqui.”, “Ano passado plantamos o milho aqui e deu tudo certo”, e temos uma conversa novamente. O que sempre acontece é que dizemos algo que parece fazer sentido para nós, e as pessoas poderão concordar ou não, ou poderão querer modificar ligeiramente a ideia e dizer “Bem, vamos fazer isso”, e você irá dizer “Bem, vamos fazer aquilo.” A essência da experiência humana em todos os níveis parece ser: alguém tem uma ideia, outra pessoa deseja modificá-la e outra pessoa deseja modificar a modificação, e tem lugar uma série de modificações sem fim até o ponto em que a ideia original já não importa mais. São as modificações e os acordos sobre o resultado que realmente importam.

 

Essencialmente, isso é conversar. É esse ir e vir. É por isso que, em todas as áreas do conhecimento, a peça fundamental são as pessoas conversando umas com as outras, de uma maneira ou de outra. Esse elemento está presente mesmo em áreas altamente técnicas. É preciso avançar e recuar. Qualquer pessoa que escreve sobre um assunto conversa sobre ele primeiro; depois, ela pode se sentar e escrever. Para as crianças, a grande implicação disso é a importância da fala e de ser capaz de conversar.

 

Notas

1 - O texto original foi dividido em partes pelo tradutor para que sua leitura seja mais leve, pois o texto completo é bastante longo para leitura on-line.

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