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A magia da conversação - parte 1

August 24, 2016

 

Imagem: acervo Casa da Árvore

 

A magia da conversação – parte 1¹

 

 

Michael Greenberg

Disponível em: http://www.sudval.com/essays/022008.shtml

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

Quando você se encontra em uma situação em que pode fazer o que quiser com o seu dia, o fato é que a maior parte do que as pessoas fazem envolve conversar. Eu diria que a principal atividade de todo mundo é conversar.

Por que estão conversando? O que ganham com isso?

 

Pensem por um segundo nos meios de expressão e vocês verão por que as pessoas conversam. Tenho defendido há muito tempo que há três atividades que todo mundo realiza, independente da cultura: fazer música, decorar objetos e conversar. Sobre as outras atividades, ainda não há consenso. Nem mesmo a escrita é comum a todas as culturas, longe disso. Conversar, fazer música e decorar objetos são as três coisas que parecem ter sido instaladas nos cérebros de todo mundo, que parecem ter lugar em todos os grupos, não importa se grandes ou pequenos. O fato é que os povos inventam suas próprias linguagens, não importa quão pequeno seja o grupo; todos possuem uma maneira muito específica de decorar sua cerâmica e seus corpos ou o que quer que possam decorar; e têm algum tipo de música que surge de sua própria experiência. Para mim, isso significa que esses são três modos de expressão que quase jorram do cérebro humano espontaneamente, por assim dizer. Eles simplesmente fazem parte de quem nós somos. O resto, digamos, é tecnologia. A escrita é tecnologia, sem sombra de dúvida. A escrita e a leitura são apenas representações da fala. De maneira nenhuma elas são linguagens próprias. Elas são maneiras de representar os sons que fazemos, as palavras que dizemos, de expressá-las em um meio no qual elas possam ser capturadas e manipuladas, do mesmo modo que uma composição musical escrita não é a música em si, mas existe como um símbolo da música que pode ser recriada a qualquer momento. As palavras em uma página não significam nada a menos que você as leia e as reorganize como palavras que você pode falar e as diga para si mesmo em um diálogo interior.

 

O que torna a linguagem tão útil é que as palavras significam coisas mais específicas do que as cores ou as notas musicais. Pinturas e músicas são julgadas por muitos como sendo bem mais expressivas e emotivas do que a fala.  Você pode criar um belo poema que evoque um lugar, ou pode fazer uma pintura desse mesmo lugar, mas quando você descreve esse lugar verbalmente, começa usando palavras como “A cadeira preta no canto do quarto vermelho.” Elas comunicam para outra pessoa exatamente aquilo sobre o que você está falando. Elas também podem ser muito evocativas, claro, como na poesia, logo elas também possuem um pouco do que a música e a pintura têm, mas elas possuem uma especificidade que nenhuma das outras linguagens possuem. Há determinadas coisas que você pode obter com a música e a pintura que não vêm das palavras, caso contrário as pessoas teriam parado de pintar e fazer música há muito tempo. Há determinados estados emocionais que são melhor compreendidos por meio da música e da pintura. Mas há todo um conjunto de pensamentos detalhados específicos, estados de espírito, argumentos e outras coisas que realmente só podem ser exprimidos por meio da linguagem.

 

Falar é a primeira forma de linguagem. É a parte mais rápida; é a mais interativa. Conversar com alguém é algo muito mais dinâmico e flexível do que o obviamente unidirecional ato de ler, pois aqui não há a possibilidade de fazer suas perguntas para o autor. Eu sempre pensei que ler é algo que tem mais a ver com assistir a um filme ou ver televisão. Numa via de mão única, alguém dá a você alguma informação para usar como quiser, mas você não tem a oportunidade de pedir para fazer parte da conversa, exceto talvez depois da leitura. O livro não muda, não importa o que você pense dele. Você pode mudar, por pensar sobre o livro, mas o próprio livro não se altera, enquanto em uma conversa as duas pessoas que falam uma com a outra mudam como resultado dessa conversa. Ambas as partes mudam, ambas contribuem e chegam a algum lugar graças à conversa. E formas mais recentes de comunicação que possuem a simplicidade da fala, como o jeito das crianças enviarem mensagens de texto umas para as outras, atraem tanto quanto a fala.

 

Na prática, uma chamada de telefone não é tão diferente de falar com alguém frente a frente. Há pessoas que ficam mais desconfortáveis ao telefone, e outras que se sentem mais à vontade. Algumas pessoas sentem falta dos sinais visuais da outra pessoa, outras ficam felizes por não ter que lidar com eles. Mas, essencialmente, quando você fala com alguém ao telefone as palavras vão e vêm instantaneamente. Nas mensagens de texto, há o tempo que se leva para escrever as palavras, o que é muito mais lento do que a fala. Mesmo se você for o melhor digitador do mundo, digitar palavras significa colocar algo entre você e a comunicação que está realizando. Não é um grande obstáculo, e às vezes é até divertido pois nos dá um momento para pensar no que estamos dizendo e isso oferece um contexto diferente no qual podemos ser engraçados.

 

Mas, basicamente, tudo se resume ao fato de que falar ainda é a coisa mais interativa e visceral que as pessoas podem fazem para compartilhar o conteúdo de suas mentes. Ninguém pode dizer que escrever algo é mais fácil do que simplesmente dizê-lo. Pode ser mais claro, você pode formular melhor um argumento e para mim o real valor da escrita tem a ver com a reflexão que a acompanha. São os obstáculos da escrita, o próprio fato de não ser uma expressão natural e que você tem que organizar seus pensamentos. Alguém que escreve um artigo de dez páginas sofre bastante para organizar seus pensamentos dentro dessas dez páginas. Alguém que escreve um livro sofre muito para garantir que ao longo das suas 300 páginas de argumentação as coisas fluam suavemente. Você pode ter uma conversa em que facilmente usa tantas palavras quanto um livro, em que as pessoas não sofrem tanto para garantir que as coisas transcorram bem, mas a conversa tem um ritmo próprio. Uma das coisas encantadoras sobre as conversas é como elas têm algo de essencialmente misterioso, mesmo logo depois de a conversa acontecer. Não é fácil se lembrar da maneira como a conversa evoluiu: é quase como se o ato de conversar fosse tão importante quanto a conversa em si.  São os lugares onde você consegue chegar com a outra pessoa enquanto a conversa muda de temas leves para temas pesados, da alegria para a tristeza, do pessoal para o geral. É quase como uma pequena viagem. [continua na Parte 2]

 

 

NOTAS

 

1 O texto original foi dividido em partes pelo tradutor para que sua leitura seja mais rápida, pois o texto completo é bastante longo para leitura on-line.

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