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Todo viajante precisa de orientação

December 12, 2015

Imagem: acervo Casa da Árvore

 

 

Todo viajante precisa de orientação

 

Luís Gustavo Guadalupe Silveira – Casa da Árvore

 

Há muitos séculos, filósofos e cientistas vêm debatendo a questão do conhecimento humano: sua natureza, seus limites, sua origem. Sobre esse último ponto, até hoje investigamos quanto o ser humano nasce sabendo e quanto descobre ao longo da vida. A partir do momento em que assumimos a posição de que não nascemos sabendo,[1] passamos a enfrentar esta outra questão: como então vamos aprender o que precisamos para viver neste mundo? Uma das respostas, a mais comum e a mais familiar para a maioria de nós, diz que o aprendizado só acontece sob orientação de um ou mais "guias" que já sabem alguma coisa. Assim, alguém vai nos mostrar, vai nos direcionar rumo aos conhecimentos realmente importantes. Sem esses "guias", estaríamos completamente perdidos. Talvez por isso, as abordagens educacionais não-diretivas causem tanto espanto e sejam consideradas incoerentes por tantas pessoas.

 

Mas existe pelo menos mais um tipo de resposta: o aprendizado acontece quando a pessoa busca a solução necessária para resolver um problema. Essa resposta não descarta a importância dos "guias", no entanto, não afirma que eles sejam a única fonte de conhecimento, o que, no fundo, leva a novas perguntas: o que, ou quem, pode servir como "guia"? Quando um "guia" é importante, e quando é desnecessário, ou mesmo, prejudicial? Quem deve decidir quando é hora de buscar esta ou aquela fonte de conhecimento? Como extraímos conhecimento das diferentes fontes que acessamos? É possível antecipar e determinar, de fora, quais são os conhecimentos úteis para outra pessoa?

 

Os espaços de educação que funcionam segundo a abordagem Sudbury são adeptos daquele outro tipo de resposta: o aprendizado é fruto das buscas pessoais. O que não quer dizer, contudo, que não exista nenhum tipo de "orientação", mas certamente implica que não há nenhum tipo de "direção". O que isso significa, na prática? Talvez uma metáfora possa ajudar a responder melhor a essa pergunta. Vamos imaginar que a vida de cada pessoa seja uma viagem, trilhada a pé, por diversos caminhos, e que o objetivo geral de todo aprendizado seja conhecer as trilhas, saber relacionar-se com os outros viajantes, planejar os percursos de maneira cada vez melhor, estar preparado para os imprevistos e desvios no caminho, saber escolher o que levar na bagagem e onde parar para descansar etc. Aqueles que acreditam que todos precisamos de direcionamento, irão defender a importância de ter sempre (ou pelo menos, quase sempre) um guia ao nosso lado. Já o Modelo Sudbury de Educação irá basear-se na ideia segundo a qual nenhum de nós sabe de antemão quais caminhos seguir, nem onde a viagem irá nos levar, menos ainda no que diz respeito às viagens das outras pessoas, mas todos dispomos de habilidades e ferramentas que irão possibilitar as descobertas pessoais e a realização de nossos objetivos.

 

Assim, não existem apenas um ou dois (ou dez, ou vinte) guias, ou "viajantes mais experientes", que todos precisamos seguir. O que existe é uma infinidade de fontes diferentes de orientação: o clima, as pegadas na estrada, a vegetação, o comportamento dos outros viajantes, os conselhos dos viajantes mais experientes, nossa própria intuição, o conhecimento que acumulamos ao longo dos trajetos percorridos...

 

Nos espaços educacionais Sudbury, a equipe (responsável pelo funcionamento geral do espaço, pela segurança dos estudantes, por apoiar as iniciativas daqueles estudantes, etc.) não irá fornecer nenhum tipo de direcionamento, pois isso é visto como desnecessário e, pior ainda, como prejudicial. Da mesma forma que um direcionamento não solicitado iria distrair um viajante que busca os sinais (externos e internos) para se orientar em sua trilha, qualquer pessoa bem-intencionada que tentasse ajudar um estudante iria, no mínimo, distraí-lo de suas atividades, atrasando suas descobertas, mais que acelerando-as. No fundo, há ainda uma mensagem bastante ofensiva por trás de toda ajuda não solicitada, que revela falta de confiança no outro: “Sem mim, você não seria capaz de descobrir essa coisa que é tão importante.”

 

Mas os viajantes não estão sozinhos. As escolas Sudbury representam, em parte, uma viagem coletiva: um grupo de pessoas, uma comunidade, que se reúne para realizar uma jornada em que todos serão livres para escolher suas trilhas, para decidir democraticamente o funcionamento do grupo e as regras de comportamento que irão ajudar ou atrapalhar cada um a buscar seus objetivos. Isso significa que as pessoas podem escolher caminhar sozinhas ou acompanhadas, durante todo ou só por uma parte do tempo, embora ao mesmo tempo façam parte de uma comunidade de caminhantes que irão dar apoio uns aos outros, quando for necessário. Nesse ambiente, os viajantes irão aprender a encontrar toda a orientação de que precisam, dentro e fora de si mesmos, acertando e errando, se perdendo e se encontrando, observando os outros caminhantes e analisando a si mesmos. Criarão um mapa completamente personalizado para essa viagem única que é a vida de cada um.

 

NOTAS

 

1. O que não significa que chegamos ao mundo como uma completa "folha em branco", pois nos meses dentro do útero aprendemos bastante sobre nossas mães e o ambiente em que ela vive, como revela Annie Murphy Paul nesta fala.

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