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Falando sobre tempo de tela

May 21, 2015

 Imagem: acervo Sudbury Valley School

 

Falando sobre tempo de tela

 

Dana Ortegón

 

Disponível em: http://blog.sudburyvalley.org/2013/06/speaking-of-screen-time/

 

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

 

Uma das melhores coisas de ser mãe na SVS é conversar com famílias que pretendem matricular os filhos durante as Casas Abertas.1 Há bem pouco tempo, nossa família estava conhecendo a escola, e ainda me lembro da combinação de esperança e ansiedade que tomava conta de mim naquela tarde. Nós já concordávamos com o conceito de unschooling, assim eu não tinha dúvidas de que meu filho teria uma educação incrível na SVS. Mas, ainda tinha muitas dúvidas. É seguro? Quem vai tomar conta dele? Por que eles vendem junk food nas Concessões?2

 

E apesar de eu me arrepiar só de lembrar, eu era aquela mãe, aquela que pergunta: “Mas e se ele quiser ficar sentado o dia todo e _________.” (Preencha sua opção de atividade questionável aqui: ver TV/assistir filmes/jogar videogames/ficar diante de uma tela.)

 

Quando eu comecei a guiar os passeios, eu reagia a essa pergunta com uma estranha pausa enquanto consultava freneticamente minhas anotações mentais, procurando por um estudo científico que provasse que a TV torna as crianças mais espertas ou mais interessantes ou simplesmente pessoas mais versáteis. É incrível ver o quanto eu mudei desde aquela época. Atualmente, eu olho rapidamente a pessoa nos olhos, desvio minha atenção para sua filha ou seu filho e digo: “Então eles irão ver TV/assistir filmes/jogar videogames/ficar diante de uma tela o dia todo – e tudo bem.”

 

Claro, eu não paro por aí. Eu lhes conto sobre o meu filho, que passou vários anos grudado em toda tela que estivesse disponível e hoje parece não encontrar tempo suficiente na escola para brincar de Rouba-Bandeira, Foursquare,3 fazer edição de vídeos e participar das Assembleias Semanais (se for terça-feira). Ou sobre a criança que passou anos jogando videogames com seus amigos no Celeiro até o dia em que pegou uma guitarra por impulso e decidiu aprender a tocar. A mesma criança, o mesmo foco e intensidade, só que agora direcionados para outra meta – tocar uma guitarra matadora.

 

 

A armadilha para pais

Não é de se admirar que o tópico “tempo de tela” possa transformar uma sala cheia de pais em criaturas defensivas e aflitas. Junto com a pilha de livros sobre como educar a criança perfeita (confissão: eu nunca passei do segundo capítulo), eu tinha o clássico de Marie Winn, “The Plug-in Drug”,4 que havia me convencido que a exposição a qualquer tipo de mídia visual que não fosse arte e fichas5 iria transformar meu filho em um nabo. Por cinco solitários anos, eu lutei contra o ataque devastador de Vila Sésamo, Baby Einstein e outras mídias “educacionais”. Eu citava as Orientações da American Academy of Pediatrics6 (AAP) quando argumentava com amigos e familiares, e sonhava com a vitória final quando os meus filhos ganhassem prêmios Macarthur Genius7 e os deles tivessem que se satisfazer com adesivos para carros dizendo “Estudante nota 10”.8

 

A AAP “não recomenda TV ou outras mídias para crianças menores de dois anos” e recomenda que crianças mais velhas façam uso limitado de uma a duas horas por dia de “programas educacionais e não-violentos, supervisionadas pelos pais ou outros adultos responsáveis.” Mas, como a autora Hanna Rosin colocou em seu texto recente no The Atlantic: “A afirmação da Academia Norte-Americana de Pediatria presume um jogo de perde-ganha:9 uma hora que se passa vendo TV é uma hora que não se passa com os pais. Mas os pais sabem que não é assim que a vida real funciona. Há horas suficientes num dia para ir para a escola, jogar um jogo, e passar um tempo com os pais, e geralmente essas são horas diferentes.”10

 

As crianças estão bem

Na Sudbury Valley, há horas suficientes ao longo do dia para qualquer coisa que os estudantes decidam que querem fazer. Eles são livres para passar o tempo como desejarem.

 

Há uma TV e um DVD player no porão que os estudantes podem reservar por intervalos de meia hora. Para assistir a um filme de duas horas, eles têm que arrumar quatro pessoas para assinar. E, claro, todos os quatro têm que ser “certificados” para usar a TV. Isso significa aprender as regras e responsabilidades envolvidas: desligar a TV quando terminar, limpar qualquer sujeira que tiver ficado para trás, não subir nos móveis.

 

É completamente aceitável passar o dia jogando Minecraft ou Call of Duty, ou vendo algumas horas de Cartoon Network. Pois na Sudbury Valley, entende-se que esse tempo na frente da tela, seja vendo um filme ou jogando um jogo, não é tempo perdido.

 

  • Quando as crianças jogam videogames, estão navegando em um território interpessoal complexo, que envolve desde descobrir como o seu comportamento pode fazer com que alguém desista por raiva, até compreender as nuances da etiqueta e da comunicação online.

  • Quem não adora ver um filme com os amigos? Imagine as conversas que vocês já tiveram ou as ideias que compartilharam depois de ver algum filme particularmente instigante.

  • Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Pode ser que não haja qualquer regra que proíba crianças de cinco anos de assistirem “O despertar dos mortos-vivos”, mas é muito raro isso acontecer sem que a criança receba sérios avisos dos mais velhos sobre o quanto esse filme é assustador.

  • E, claro, tem isto: o desejo de usar o controle remoto, jogar videogame, ou baixar um aplicativo tem motivado inúmeras crianças a aprender a ler.

 

Quero terminar o texto com uma mensagem para todos os pais interessados em matricular seus filhos e que têm medo de que eles não conseguirão se autorregular diante da TV, de videogames e computadores: eu já estive nessa mesma posição. Eu me preocupava com a mesma coisa. Mas eu vi por mim mesma que, se você dá liberdade e responsabilidade para as crianças fazerem suas próprias escolhas com relação a isso, elas eventualmente chegarão ao ponto em que as telas serão somente mais uma atividade competindo por sua atenção. Todas as crianças – suas, minhas, de todo mundo – chegam lá. Você só tem que permitir que elas façam isso no seu próprio tempo.

 

NOTAS

 

1 Eventos promovidos pela Sudbury Valley School em que famílias e crianças podem passar algumas horas na escola, conhecendo o espaço e conversando com outros pais, com a equipe e os estudantes. (NT).

 

2 Na SVS, Comitês e Comissões podem pedir autorização para a Assembleia Escolar para vender produtos (comida, por exemplo) a fim de angariar fundos para comprar equipamentos ou financiar viagens. Essas autorizações são chamadas de Concessões. (NT).

 

3 Foursquare é um jogo de bola bastante popular nos EUA. É um tipo de queimada e se joga com quatro pessoas, uma bola e uma quadra riscada no chão dividida em quatro quadrados iguais. Para mais informações, consultar http://www.squarefour.org/rules. (NT).

 

4 “A droga que se liga na tomada”, em tradução livre. (NT).

 

5 “Flashcards”, no original. Refere-se a um conjunto de cartões com informações nos dois lados, para uso em sala de aula ou para estudos individuais. (NT).

 

6 Academia Norte-Americana de Pediatria. (NT).

 

7 Premiação concedida anualmente pela Fundação MacArthur a pessoas que “demonstraram mérito excepcional e potencial para um trabalho criativo continuado e aprimorado”, de acordo com o site da Fundação. (NT).

 

8 “I made the Honor Roll”, no original. “Honor Roll” é uma lista em que figuram os estudantes com as maiores notas. (NT).

 

9 “Zero-sum game”, no original. Jogo, ou situação, em que o ganho de um é equivalente à perda do outro. (NT).

 

10 O artigo completo de está disponível em: http://blog.sudburyvalley.org/2013/06/speaking-of-screen-time/.

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