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O modelo Sudbury de educação

October 18, 2014

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Certo, então vocês são tipo…

January 7, 2015

Galeria de fotos da Fairhaven School

 

 

Certo, então vocês são tipo…

 

Romey Pittman, mãe, co-fundadora e ex-membro da equipe da Escola Fairhaven

 

Texto originalmente disponível em: http://www.fairhavenschool.com/ok-so-youre-sort-of-like/

 

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

Depois de ouvir uma breve explicação sobre a filosofia de nossa escola, muitas pessoas compreensivelmente tentam ligá-la a algo que já seja familiar para elas. Os “então-vocês-são-tipo” mais frequentes estão listados abaixo. Tentamos ser justos mas claros ao distinguir nossa filosofia das outras. Contudo, nem todas as sutilezas desses modelos educacionais foram expostas e as comparações não foram feitas sob todos os ângulos possíveis. Esperamos que as explicações a seguir sirvam para esclarecer o que o modelo Sudbury é e o que ele não é.

 

Certo, então vocês são tipo…

 

… uma Escola Montessori?

 

Há alguns aspectos em que o modelo Sudbury se assemelha à abordagem Montessori. As crianças em ambos os casos têm mais liberdade para tomar decisões sobre o que lhes interessa e como irão progredir do que na maioria das outras escolas. Ambos os modelos conservam o pressuposto básico segundo o qual as crianças são naturalmente curiosas e não precisam ser forçadas a aprender.

Mas as crianças Montessori só podem escolher dentre as opções específicas apresentadas pelo professor, não pelo amplo leque de atividades que a vida em si apresenta. Educadores Montessori acreditam que toda criança aprende de acordo com sequências e padrões específicos. Eles baseiam atividades de sala de aula em suposições do modelo sobre o que é “apropriado para o desenvolvimento” de cada faixa etária e restringem o acesso a certas atividades se etapas anteriores da sequência planejada não tiverem sido completadas. O modelo Sudbury não supõe nada sobre como cada criança aprende em determinada idade. Não há expectativas de que alguém aprenda multiplicação antes dos números negativos ou saiba como desenhar um círculo antes de saber fazer um quadrado. O interesse é o único critério para o envolvimento em alguma atividade e a satisfação é a única estimativa de sucesso.

 

… uma Escola Waldorf?

 

Como as Escolas Waldorf, as escolas Sudbury se importam com a criança como um todo. Não estamos interessados somente no sucesso acadêmico, mas na felicidade e no pleno potencial humano de cada indivíduo. Como escolas Waldorf, não forçamos as crianças a ler cedo, como fazem as escolas tradicionais. Ambas as abordagens valorizam a brincadeira, particularmente a brincadeira “profunda” (com envolvimento intenso), como algo crucial para o desenvolvimento do caráter mental, físico, emocional e espiritual da criança, de fato, como o “trabalho” fundamental da criança. Ambos respeitamos a sabedoria intuitiva das crianças e levamos suas visões de mundo e seus interesses bastante a sério.

Mas o modelo Sudbury não se associa especificamente a nenhum caminho de crescimento espiritual e emocional. Em vez de ouvir a criança para melhor orientá-la, nós a escutamos para responder às suas necessidades autodeterminadas. Diferentemente da educação Waldorf, não possuímos um currículo pré-determinado. Confiamos nas crianças para que cometam os próprios erros, resolvam os próprios problemas e cheguem às suas próprias soluções, com ajuda, quando for necessária, mas sem a suposição de que nós sabemos qual é o melhor resultado. Educadores Waldorf se esforçam para guiar as crianças e a sociedade em geral em direções específicas e buscam criar um ambiente que alimente tal transformação social.

Em contraste, escolas Sudbury buscam criar um ambiente em que as crianças possam reconhecer e seguir seus próprios planos. Juntos, crianças e adultos avaliam e modificam a cultura da escola por meio da Assembleia Escolar. O processo democrático nas escolas Sudbury pode ser barulhento e polêmico; envolve trabalho político de grupos de interesses especiais, eleitores tomando decisões, acusados sendo sentenciados. É “real” e não necessariamente “esclarecido” (embora sempre respeitoso). O modelo Sudbury simplesmente procura dar às crianças acesso à total complexidade da vida, fomentar a curiosidade, a confiança e a competência para participar da – e às vezes para mudar a – sociedade de acordo com seus próprios interesses, experiências, conhecimentos e objetivos.

 

… uma Escola Progressista?

 

As escolas Sudbury acreditam, como os reformadores das escolas progressistas, que a escola tradicional não está funcionando. Ambos identificam a administração e o ensino autoritários como problemas e buscam reduzir o stress experienciado pelos estudantes por serem forçados a aprender e ser avaliados por testes “objetivos”. Mas o modelo Sudbury também rejeita a noção de que a alternativa para o autoritarismo é a permissividade – professores gentis dão segundas e terceiras chances para o estudante melhorar, tentam evitar qualquer infelicidade e fazem das tripas coração para “tornar a aprendizagem divertida”, fazer as crianças aprenderem sem perceber que estão aprendendo. Mas quando as crianças são tratadas com permissividade elas não aprendem a ser responsáveis por suas ações.

Adultos em escolas progressistas mantêm a autoridade para dar ou negar uma segunda chance, para interferir para resolver conflitos, para estabelecer as regras e conduzir sua escola. Pode haver uma ilusão de liberdade ou de tomadas de decisões democráticas em escolas progressistas, mas se as crianças tomarem decisões ruins, os adultos sempre mantêm o poder para interferir e resolver o problema para elas. No contexto do aprendizado, escolas progressistas frequentemente tentam fazer com que o currículo siga o interesse dos estudantes. Mas o efeito de ensinar de acordo com o interesse da criança é, como defende Daniel Greenberg,[1] como um pai que espera que o filho abra a boca para falar antes de empurrar goela abaixo o remédio que deseja lhe dar. Crianças que mostram interesse em brincar de Índios e Cowboys por algumas horas podem ser sujeitadas a seis semanas de projetos sobre os Nativos Americanos, independente de seu interesse ter se mantido ou não. As crianças a que se administram remédios assim aprenderão a nunca demonstrar interesse por nada, pelo menos na escola. Aprender algo novo pode dar muito trabalho e as crianças são bastante capazes de trabalhar duro – quando estão fazendo algo que querem fazer. Quando um estudante tem um interesse sério, nada pode detê-lo e “tornar algo divertido” é frequentemente uma distração intolerável. Quando um estudante está interessado em alguma coisa, acreditamos que ele deve poder ir atrás dessa coisa somente até onde sentir necessidade. Ele pode voltar a uma ideia importante depois, para aprofundar seu interesse, mas forçar ou manipular o estudante para se aprofundar só serve para diminuir sua curiosidade e seu senso de autodeterminação. Algumas escolas progressistas oferecem um leque de cursos, mas não exigem a frequência. As escolas Sudbury não têm ofertas padrão, pois aprender a seguir seus próprios planos pode ser desafiador, às vezes doloroso e às vezes entediante. Acreditamos que o tédio é uma oportunidade valiosa para fazer descobertas sobre si mesmo. Frequentemente, é mais fácil se sentar em uma aula, ser entretido (talvez não tanto quanto pela TV, mas ainda é melhor que nada) e evitar a pressão dos pais, do que programar a própria vida, lutar contra as próprias questões, aprender como buscar as respostas e dominar o próprio destino.

 

… Homeschooling?

 

Existe uma filosofia específica de homeschooling, frequentemente chamada de “unschooling”, que compartilha diversas similaridades com o modelo Sudbury. John Holt foi seu proponente mais conhecido e seus escritos têm sido imprescindíveis para nos ajudar a explicar como a aprendizagem pode acontecer sem ensino e porque diabos uma criança pode escolher aprender aritmética ou outro assunto considerado terrível. Unschoolers acreditam, como nós, que as crianças nascem curiosas sobre o mundo, que anseiam por ser bem-sucedidas na vida e que aprendem melhor na prática e pela experiência, em vez de aprender com alguém dizendo o que e como pensar. Nas palavras de John Holt: “O aprendizado real é um processo de descoberta e se queremos que ele aconteça, devemos criar as condições nas quais as descobertas acontecem… Elas incluem tempo, liberdade e falta de pressão.” Mas os unschoolers, na maioria das vezes, veem o ambiente familiar como o melhor lugar para as crianças crescerem, enquanto o modelo Sudbury acredita que, como diz o provérbio africano: “É necessária uma aldeia inteira para educar uma criança.” Crianças e pais possuem relações e interdependências complexas que tornam mais difícil para a criança descobrir a verdadeira independência dentro da família.

No ambiente de uma escola Sudbury, as crianças encaram diretamente a responsabilidade pessoal por suas ações, sem a bagagem emocional que a responsabilidade familiar às vezes carrega. Além disso, as crianças são mais capazes de desenvolver algumas habilidades sociais importantes numa escola democrática – a habilidade de tolerar uma diversidade de opiniões, de reclamar de comportamentos inadequados e de desenvolver e levar adiante projetos em grupo, por exemplo. Na maioria das famílias que faz homeschooling, os pais se veem como os principais responsáveis pela educação da criança, enquanto nas escolas Sudbury, essa responsabilidade pertence completamente à criança.

 

… Grêmios estudantis em escolas tradicionais?

 

As Assembleias Escolares Sudbury são semelhantes aos grêmios estudantis somente por serem compostas por estudantes e funcionar pela regra da maioria simples. Mas a Assembleia Escolar é uma democracia participativa, na qual estudantes e membros da equipe têm opção de um voto direto em cada decisão tomada. Grêmios estudantis são representativos – estudantes são escolhidos para representar um corpo estudantil mais amplo. Além disso, dificilmente se dá poder real aos grêmios estudantis nos assuntos importantes. Cargos eleitos servem primariamente aos estudantes como símbolos de status, popularidade e “potencial de liderança” para fins de admissão em universidades.

A Assembleia Escolar decide anualmente quem será membro da equipe, como as mensalidades serão gastas, como será cada uma das regras da escola, quem será suspenso ou expulso por violação dessas regras. Membros da equipe são envolvidos em pé de igualdade e defendem suas posições com entusiasmo. Mas eles também estão submetidos às regras da escola.

Como uma maioria livre, os estudantes experimentam controle real sobre suas vidas na escola e consequências reais se falham em cumprir as responsabilidades que tal controle exige deles. Esse tipo de governo cria uma identidade comunitária e um senso de empoderamento individual que nenhum assim chamado grêmio estudantil [2] pode esperar alcançar.

 

1 Um dos fundadores da Sudbury Valley School, em funcionamento desde 1968. Para mais informações, acessar http://www.sudval.org. (NT)

 

2 Grêmio estudantil, em inglês, se escreve “student government”, que poderia ser traduzido literalmente por “governo estudantil”. A expressão “nenhum assim chamado grêmio estudantil”, usada pela autora, faz mais sentido em inglês, pois a autora está sublinhando justamente a limitação do poder dos grêmios, que de “governo” teriam só o nome. (NT)

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