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Disponibilidade instantânea, sem presença constante

October 18, 2014

Imagem: Sudbury Valley School Photo Gallery

 

Disponibilidade instantânea, sem presença constante[1]

 

Hanna Greenberg

 

Tradução de Luís Gustavo Guadalupe Silveira

 

Eu li esta citação de Lotte Bailin em algum lugar:

“Disponibilidade instantânea sem presença constante é o melhor uma mãe pode oferecer.”

Acho que é uma citação adorável, e eu a escrevi num pedaço de papel que fica colado em minha escrivaninha. Na semana passada, aconteceram duas situações sem ligação que esclareceram pra mim a razão de eu ter guardado essa citação e o que ela desperta em mim.

Como acontece às vezes na escola, tivemos um pequeno acidente. Uma menina fez uma estrela e bateu com força no braço de sua amiga Lily. Aquilo machucou muito e Mikel, que já havia sido um paramédico, a socorreu. Ele colocou uma tala com muito cuidado no caso de algum osso ter se quebrado e ligou para os pais de Lily para que a buscassem e a levassem ao médico. Para Mikel, a lesão não exigia cuidados urgentes e seria melhor para a criança estar com seus pais do que ser levada para um hospital de ambulância, o que é bem mais traumático.

Isso aconteceu durante uma Assembleia Escolar, quando um assunto importante estava sendo discutido, mas de tempos em tempos um membro preocupado da equipe escapava da Assembleia para ir ver como Lily estava. Todos nós sabíamos que Mikel estava tomando conta dela muito bem, mas simplesmente não conseguíamos dar atenção ao tema da Assembleia sem ver com nossos próprios olhos se Lily estava realmente bem. Mais tarde, eu liguei para Lily para saber como ela estava e sua mãe conversou comigo sobre o acidente.

O que ela disse me deixou estupefata!

A mãe disse que somente agora, após o acidente, ela finalmente entendia como a equipe trabalha na escola. Lily contou para ela quão preocupados e cuidadosos nós tínhamos sido e como ela havia se sentido bem com isso. A mãe entendeu pela primeira vez em quase dois anos que aquilo que parecia uma negligência benigna por parte da equipe era de propósito, e não era negligência de modo algum. Era dar espaço para a criança se desenvolver e crescer livre da interferência de adultos.

O outro incidente aconteceu com um menino em sua excursão para as Montanhas Nevadas. Sua mãe publicou parte do seu diário num Boletim Informativo da SVS[2] em que ela também diz, na seguinte citação, como o incidente a ajudou a entender melhor a filosofia da SVS, depois de estar envolvida com a escola por mais de um ano.

“O fato de tanta atenção ter sido dada ao meu filho durante os últimos cinco dias, por nós e pela equipe da escola, é uma boa mensagem de cuidado e apoio para ele. A maior parte do tempo eu vi a SVS operando com uma negligência benigna, mas nesse caso uma abordagem diferente foi realizada à perfeição. Eu sou grata, e isso me ajudou a ver a SVS de um jeito novo. Basicamente, o que eu vi acontecer foi a equipe atendendo ao seu firme desejo de ir nessa excursão quando decidiu apoiá-lo, de um jeito que mostrava que ele estava pronto para a viagem, ainda que ao fazer isso a equipe acabou tendo mais trabalho e mais responsabilidade.”

O que me surpreendeu nas falas dessas duas mães foi quanto tempo leva de fato, mesmo para aqueles que mandam seus pequenos filhos para a SVS, para entender como a escola realmente funciona. Eles confiam o suficiente em suas crianças para trazê-las à escola e permitir que elas sejam responsáveis por si mesmas, mas os pais não sabem realmente como a equipe trabalha. Na verdade, eu mesma sou incapaz de explicar isso muito bem e eu acho que essa seja uma das causas para a dificuldade que muitos pais têm de matricular seus filhos em nossa escola. O problema é que a negligência benigna parece pura negligência. Somente em circunstâncias extraordinárias os pais conseguem ver como a equipe está interagindo com seus filhos. No dia-a-dia o cuidado e o empoderamento têm lugar o tempo todo, mas de uma forma tão sutil e tranquila que ninguém repara – nem a equipe, nem as crianças, nem os pais. Isso simplesmente ocorre naturalmente. Mas de tempos em tempos as circunstâncias exigem da equipe que ela reúna todos os seus recursos e dirija toda a sua atenção e energia para as questões de um estudante. Quando isso acontece, essa atividade intensa lança luz sobre o que acontece na SVS todo dia de um modo mais silencioso e sutil.

Assim, parece que “disponibilidade sem presença constante” é de fato o que fazemos na SVS. Nem sempre nós respondemos instantaneamente a todos os pedidos, pois nós normalmente estamos ocupados com um estudante ou com qualquer outra coisa que fazemos para manter a escola funcionando. Temos que usar nosso bom senso e decidir em cada caso se continuamos a fazer o que estávamos fazendo ou se paramos para atender a um pedido. Normalmente, marcamos um encontro para depois e isso funciona muito bem. Frequentemente, isso força as crianças a resolver sozinhas seus problemas e isso certamente é outro jeito de elas ganharem confiança em si mesmas. Mas eventualmente acontece algo que não pode esperar e temos que largar tudo para acudir alguém. Nesses casos é fácil para nós responder prontamente, pois todas as crianças sentem a urgência e elas querem que nós ajudemos seu amigo que está encrencado ou sofrendo. O apoio que cada criança dá uma a outra é da mesma qualidade e estilo do apoio dado pela equipe. Elas ajudam quando solicitadas e dão espaço umas às outras quando isso é pedido.

À medida que os anos passam, nós nos tornamos melhores como membros da equipe da SVS. Nós aprendemos a arte de permitir que as crianças sejam nossas guias em atender as suas necessidades e nós fazemos mais por elas quando fazemos menos – não interferindo, enquanto ouvimos cuidadosamente o que elas desejam.

 

 

 

[1] Publicado em SADOFSKY, Mimsy; GREENBERG, Daniel (ed). Reflections on the Sudbury School Concept. Framingham: Sudbury Valley School Press, 1999. p. 110-113.

 

[2] Sudbury Valley School (NT).

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